O BRANQUEAMENTO CULTURAL NOS CONTOS DE CUTI

Edna Caroline Alexandria da Cunha Oliveira

Resumo


A abolição da escravidão no Brasil não fora suficiente para transformar o pensamento da sociedade. As ideias racistas e os comportamentos preconceituosos perduram ao longo do século XX, deixando marcas ainda no século XXI, nos interdiscursos. Na literatura brasileira, por exemplo, o negro nunca fora tratado como nobre. Ao contrário, sempre foi posto em posição inferior, de servidão, indolência, esperteza, malícia, sensualidade, malandragem, à margem, suburbano, recorrentemente num contexto subalterno. A desconstrução de tais estereótipos negros começam a ser percebidos na sociedade, com reflexos na literatura, na segunda metade do século XX, a partir das décadas de 1950 e 1960, com movimentos contra discriminação racial e resgate dos elementos da cultura negra. Com o avanço da luta contra o racismo, nas últimas décadas do século XX, os negros começaram a se tornar protagonistas de suas obras. A palavra passou a ser uma arma contra a resistência. Os contos de Cuti denunciam o racismo velado na sociedade brasileira. Este artigo reúne considerações sobre o modo como o negro se insere atualmente no mundo dos brancos, mediante narrativas cujos sentidos apontam para um racismo disfarçado. Reflete a conjuntura escravocrata no Brasil e a ideia de unidade nacional construída a partir da política hegemônica cultural branca. O corpus se constitui dos contos de Cuti cujas significações denunciam o apagamento da negritude, o branqueamento do negro, a marginalização, vozes historicamente silenciadas. Assim, compreender o racismo a partir dos cenários políticos e sociais.  

Palavras-chave


Identidade; Raça; Interdiscursos; Literatura Brasileira.

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ISSN 1676-9570 (impresso - ENCERRADO)

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